O post Reflexão para Pais e Professores cumpriu com a sua função e deixou-me a pensar no dia-a-dia na escola das nossas crianças.
As noticias de agressões a professores e alunos, o chamado bullying, divide as nossas opiniões. Ou porque a criança vem de um ambiente familiar e social desajustado ou porque o professor abusou do poder que tem e conforme a história nos é “vendida” pela comunicação social, assim mudam as nossas opiniões. Na realidade, eu sou defensora acérrima da classe docente mas tenho que concordar que em algumas situações e provavelmente com medo das consequências, não tomam as devidas medidas que impedem o agravamento das situações.
O caso que vos vou contar tem-se passado com o meu filho, e por isso talvez a minha opinião se tenha alterado. Em Outubro do ano passado o meu filho chegou a casa a chorar porque o JF (colega da escola) lhe apertou o pescoço e por isso não queria voltar à escola. Já não era a primeira vez que isso acontecia, e depois dar conhecimento à professora, do sucedido, decidi ir falar com o pai do aluno. O Sr. Ficou muito indignado com a minha reclamação, visto que, segundo ele, era impossível: “O meu filho nunca faria tal coisa”
A dita criança, viu-se assim impedida de continuar com a sua diversão e resolveu mudar a táctica. Então o esquema era, ou o meu filho batia nas meninas ou o JF batia no meu filho. Claro que o meu filho preferiu bater a levar outra vez. Desta vez tinha os pais das meninas a reclamarem comigo porque o meu filho lhes batia. O meu filho pouco ou nada me contava, tudo o que saía da boca dele era tirado a saca rolhas. Até que passado algum tempo, depois mais algumas queixas dos pais das meninas, o meu filho confessou aquilo a que estava obrigado a fazer.
Voltei a falar com a professora sobre o sucedido e pedi-lhe para marcar uma reunião com os pais do JF que eu também estaria disponível para estar presente. O tempo foi passando até que no final do mês passado o meu filho volta a chegar a casa no fim do dia a chorar que não queria voltar para o prolongamento porque o JF lhe batia. Voltei a falar com a professora. Chamei a atenção que desde Outubro que lhe andava a reportar as agressões, que já tinha pedido uma reunião e que até agora nada. Ao que a professora me disse que não tinha falado com os pais do referido aluno, e não sabia como lidar com a situação, visto que as agressões eram constantes e não só com o meu filho, mas com a maioria dos alunos da turma. Ao fim da tarde decidi por mãos à obra e fazer uma “espera” aos pais à porta da escola. Na verdade, a família do menino não tem os alqueires bem medidos. Ambiente familiar desajustado? Não sei, não os conheço.
Mas a verdade é que o Sr não sabia de nada, ou pelo menos assim justificou e ficou indignado por não ter sido informado pela professora da situação.
Agora eu pergunto. Não devia a professora ter tomado uma atitude no inicio?
Teria ela medo da reacção dos pais do JF?
Serão os professores alvos de represálias que os impede de falar?
Não temos nós a obrigação de saber ler nas entrelinhas aquilo que os nossos filhos não nos dizem directamente?
Não sei. Sei que a situação a que o meu filho tem estado sujeito, nos tem trazido alguns dissabores. As palmadas que ele levou, os pais das meninas indignados porque o meu filho lhes batia...
 
    
 
Pensem nisso....
sinto-me: Revoltada
publicado por mudeidevida às 10:00